Junho 16, 2008

Marrons

Vitória da Conquista, 16 de junho de 2008

O tijolo,
o telhado,
o detalhe na parede.

A grade,
o fim da tarde,
o sol entrando pela porta.

Inês (é morta),
a dor (é finda),
(é cedo ainda), meu violão.

O piso,
a pedra,
meu coração.

José F. Lopes

Junho 16, 2008

Fibra e tecelão

Vitória da Conquista, 16 de junho de 2008

Onde se encontra a matéria que lhe dá forma?
Qual a fibra que tece a sua vida?
Como trabalhá-la?
É preciso se descobrir matéria e artesão,
Fibra e tecelão.

José F. Lopes

Maio 8, 2008

Maio

O mês de Maio chegou com pressa.

 

O Tempo corre sobre o Planalto da Conquista.

 

Fechei os olhos no final de Abril e,

quando percebi,

já era noite do oitavo dia, do quinto mês, do ano de 2008

no nosso calendário cristão.

 

Dia das Mães e Corpus Christi no horizonte.

 

Trabalho e muitas saudades do litoral.

 

Telefone, música e fé nas horas vagas.

 

E essa tentativa míope de poema,

Que, por hora, não consegue enxergar boas metáforas.

 

 

José F. Lopes

Abril 25, 2008

Pelas veredas dos 27

Vitória da Conquista, 25 de abril de 2008.

Sexta-feira de ventania na Jóia do Sertão Baiano.

Com a bênção de Deus e dos Orixás, estão completos 27 anos de existência.

Confesso uma grande excitação em percorrer esta Vereda, nascida das páginas d’Os Sertões, por onde tenho viajado com muita calma e atenção, admirando a beleza da poesia em prosa de Euclydes da Cunha.

Todas as veredas d’Os Sertões levam ao Grande Sertão. E de lá partem também.

O viajante precisa escolher bem o itinerário.

Como diz um poeta gringo ”virado nos setecentos”, o espanhol Antonio Machado:

“Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.”
“Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre la mar.”

Segundo Eucluydes, Os Sertões já foram mar.

Mas aí já é assunto pra outro post, tratando também das profecias que dizem da predestinação marinha do semi-árido brasileiro.

Olhos abertos e sebo nas canelas!

José F. Lopes

Abril 15, 2008

Paisagens do Sertão I

Vitória da Conquista, 14 de abril de 2008.

 

 

Viajei nesse sertão

Tantas coisas eu pude ver

Vi menino despido

De roupa

De alegria

De alimento

Sem graça

Sem contento

 

Vi mulher

Sem colar

Sem anel

Olhando o céu

Com olhar tão fiel

 

Vi homem triste

De tez pálida

Brigando com a vida

Sentado no chão

De mão esticada

Mendigando o pão

 

Vi boi emperrado

De olhar opaco

E pela sede sufocado

E pelo homem sendo puxado

 

Vi boi velando

Cheirando o chão

Saboreando o corpo

Do seu irmão

 

Vi casas

Pelo calor rachadas

Emolduradas pela poeira

E varas unidas

Aprisionando o chão

 

Vi a caatinga

Desprovida de folhas

E o cacto exibindo sua força

Vencendo a seca do sertão

 

Vi rios secos

Gritando a dor da sede

Sem vida

Morrendo

Esperando a providência divina

Ressuscitar suas águas

 

Vi igrejinha

De portas abertas

Com gente de fé

Clamando ao Deus Divino

Para a chuva cair

E molhar o solo ardente do sertão

 

Vi o Sol se escondendo

Entre as montanhas desbotadas

Parecendo tocha de fogo

Brincando de ser pintor

Deixando o céu

Com as cores do amor

 

Vi o dia morrendo

E a noite nascendo

Num céu sem Lua

E o homem na escuridão

De terço nas mãos

Carregando a cruz pesada

Da vida do sertão.

 

Lucineide Régis

Abril 14, 2008

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O movimento Copyleft agradece.

Abril 14, 2008

O homem no sertão

Vitória da Conquista, 13 de abril de 2008

 

 

Para Zé Serêa e Bugarin

O homem no sertão é mais que homem.

É cabra, é bicho.

É o instinto de ser macho

e não ter outra opção senão lutar.

 

Quando menino,

é como em todo lugar:

danado, curioso, observador

 

Jovem também.

A meio caminho de si,

mente e corpo em transformações.

 

É na maturidade que o homem sertanejo

revela suas características mais caras

de avô-pai-amigo-amante-companheiro

bruto e manso

rude e sensível

duro e matutador

quase acabrunhado

na sua maneira de não desatinar,

de não perder o caminho, nem sempre sereno,

da conformidade da razão com as coisas da vida.

 

As respostas, quase sempre bem pensadas,

marcadas por um ritmo próprio,

nascido dessa maneira de, literalmente, conformar o ser.

 

A personalidade, bem tolhida na lida,

revestida por essa carapaça de couro alumiada-curtida no sol a sol

sobre o humano que se esconde

e se mostra naquele animal

de alma fina, gentil,

alma boa, ainda nobre,

de homem bom, justo e pobre,

temente a Deus.

 

José F. Lopes

Abril 14, 2008

Cordel dos Territórios da Cidadania

O POVO AQUI NO BRASIL
TEM MUITO A COMEMORAR
COM O NOSSO PRESIDENTE
SEU JEITO DE TRABALHAR
COM DISTRIBUIÇÃO DE RENDA
ESCOLAS PRA SE ESTUDAR
LUZ PARA TODOS, MAIS ÁGUA,
E MUITO MAIS PRA CHEGAR
 
CONTRA O TRABALHO INFANTIL
O PETI AUMENTA A PRESSÃO
E PÕE CRIANÇA NA ESCOLA
DANDO UMA NOVA LIÇÃO
E TEM O BOLSA FAMÍLIA,
PROGRAMA DE HABITAÇÃO
PRONAF, COMPRA-DIRETA,
CISTERNAS EM MUTIRÃO
 
FEZ MAIS UNIVERSIDADES
EM TODAS AS REGIÕES
MULTIPLICOU OS CEFETS
NOS MAIS DISTANTES GROTÕES
E TEM FUNDEB, PROUNI,
TELE-CURSOS NOS TELÕES
QUE O BRASIL COM MAIS ESCOLAS
PODE TER MENOS PRISÕES
 
O ÍNDIO NA SUA TERRA
E O AFRODESCENDENTE,
COM SUAS CRENÇAS, CULTURAS,
RAÍZES DE NOSSA GENTE
COM DIREITOS RESPEITADOS
POR UM GOVERNO DECENTE
- E O BRASL NA IGUALDADE
 RACIAL DÁ UM PASSO A FRENTE
 
É COMPRA DE EQUPAMENTOS
PARA A VIDA MELHORAR
É O BRASIL SORRIDENTE
A FARMÁCIA POPULAR
DÍVIDA EXTERNA ACABANDO
MAIS DINHEIRO PRA APLICAR
A FOME DIMINUINDO
MAIS VAGA PRA TRABALHAR
E O POBRE MENOS POBRE
SEM SAIR DO SEU LUGAR
 
AGORA NOS TERRITÓRIOS
- QUE ERAM DE IDENTIDADE
VIVE A CIDADANIA
TRAZENDO MAIS NOVIDADE
CASANDO AÇÃO COM AÇÃO
PRA NÃO FICAR NA METADE
E O POVO EM BLOCO ALERTA:
AÇÃO TEM QUE SER COMPLETA
PRA TRANSFORMAR DE VERDADE
 
DEZENOVE MINISTÉRIOS
VÃO FAZER UM MUTIRÃO
COMO ENTRE VELHOS AMIGOS
- SEM HAVER COMPETIÇÃO
A SAÚDE EMPARELHADA
COM OBRAS DE HABITAÇÃO
ESTRADA, ÁGUA, SEMENTE,
- E O NOSSO PRESIDENTE
DE OLHO NA REVISÃO
 
LÍDERES COMUNITÁRIOS
PRODUTORES, BÓIAS-FRIAS
VEREADORES, PREFEITOS
JÁ DISCUTEM COM ALEGRIA
VENDO QUE O NOSSO BRASIL
ATÉ PODE SER UM DIA
SOMA DESSES TERRITÓRIOS
CHEIOS DE CIDADANIA
Josete da Silva Menezes Andrade
Fevereiro de 2008
# Para mais informações sobre os Territórios da Cidadania acesse www.territoriosdacidadania.gov.br .

Abril 1, 2008

Hoje o dia amanheceu com frio

Vitória da Conquista, 1º de abril de 2008

Hoje o dia amanheceu com frio. As pessoas demoraram para sair de suas casas, os veículos demoraram de sair das garagens e todos demoraram em chegar no trabalho.

As lojas demoraram para abrir. As máquinas demoraram de ser ligadas. Os telefones demoraram para tocar e até as notícias demoraram de chegar.

Graças ao frio nublado e cinzento desta manhã, o dia ganhou um ritmo diferente, mais lento, pausado, dando tempo pra gente respirar fundo e cuidar da gente.

A vida vai melhor quando mais devagar.

Sorte que hoje é 1º de abril.

Mais um dia comum, em que tudo pode mudar.

José F. Lopes

Março 20, 2008

Onde houver terra pode ser povo

“Porque se operava lentamente uma sublevação geral: as massas graníticas alteavam-se ao norte arrastando o conjunto geral das terras numa rotação vagarosa em torno de um eixo, imaginado por Emmanuel Liais entre os chapadões de Barbacena e a Bolívia. Simultanemanete, ao abrir-se a época terciária, se realiza o fato prodigioso do alevantamento dos Andes; novas terras afloram nas águas, tranca-se, num extremo, o canal amazônico, transmudando-se no maior dos rios; ampliam-se os arquipélagos esparsos, e ganglionam-se em istmos, e fundem-se; arredondam-se, maiores, os contornos das costas; e integra-se, lentamente, a América.

[...]

E embatendo-a longamente, enquanto o resto do país, ao sul, se erigia já constituído, e corroendo-a, e triturando-a, remoinhando-a para oeste e arrebatando todos os materiais desagregados, modelava aquele recanto da Bahia até que ele emergisse de todo, seguindo o movimento geral das terras, feito informe amontoado de montanhas derruídas.”

Os Sertões, Euclydes da Cunha, p.30.