Vitória da Conquista, 13 de abril de 2008
Para Zé Serêa e Bugarin
O homem no sertão é mais que homem.
É cabra, é bicho.
É o instinto de ser macho
e não ter outra opção senão lutar.
Quando menino,
é como em todo lugar:
danado, curioso, observador
Jovem também.
A meio caminho de si,
mente e corpo em transformações.
É na maturidade que o homem sertanejo
revela suas características mais caras
de avô-pai-amigo-amante-companheiro
bruto e manso
rude e sensível
duro e matutador
quase acabrunhado
na sua maneira de não desatinar,
de não perder o caminho, nem sempre sereno,
da conformidade da razão com as coisas da vida.
As respostas, quase sempre bem pensadas,
marcadas por um ritmo próprio,
nascido dessa maneira de, literalmente, conformar o ser.
A personalidade, bem tolhida na lida,
revestida por essa carapaça de couro alumiada-curtida no sol a sol
sobre o humano que se esconde
e se mostra naquele animal
de alma fina, gentil,
alma boa, ainda nobre,
de homem bom, justo e pobre,
temente a Deus.
José F. Lopes