Abril 15, 2008...10:49 pm

Paisagens do Sertão I

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Vitória da Conquista, 14 de abril de 2008.

 

 

Viajei nesse sertão

Tantas coisas eu pude ver

Vi menino despido

De roupa

De alegria

De alimento

Sem graça

Sem contento

 

Vi mulher

Sem colar

Sem anel

Olhando o céu

Com olhar tão fiel

 

Vi homem triste

De tez pálida

Brigando com a vida

Sentado no chão

De mão esticada

Mendigando o pão

 

Vi boi emperrado

De olhar opaco

E pela sede sufocado

E pelo homem sendo puxado

 

Vi boi velando

Cheirando o chão

Saboreando o corpo

Do seu irmão

 

Vi casas

Pelo calor rachadas

Emolduradas pela poeira

E varas unidas

Aprisionando o chão

 

Vi a caatinga

Desprovida de folhas

E o cacto exibindo sua força

Vencendo a seca do sertão

 

Vi rios secos

Gritando a dor da sede

Sem vida

Morrendo

Esperando a providência divina

Ressuscitar suas águas

 

Vi igrejinha

De portas abertas

Com gente de fé

Clamando ao Deus Divino

Para a chuva cair

E molhar o solo ardente do sertão

 

Vi o Sol se escondendo

Entre as montanhas desbotadas

Parecendo tocha de fogo

Brincando de ser pintor

Deixando o céu

Com as cores do amor

 

Vi o dia morrendo

E a noite nascendo

Num céu sem Lua

E o homem na escuridão

De terço nas mãos

Carregando a cruz pesada

Da vida do sertão.

 

Lucineide Régis

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