Março 20, 2008

Caatingas estonadas

VDC, 17/03/2008

“caatingas estonadas”

quando uma palavra traduz a totalidade de uma realidade, um adjetivo vivo, qualidade concreta, dureza áspera desgastada da dor e da rispidez “de tantos traços incorretos e duros”. [...] “E quase compreendia que os matutos crendeiros, de imaginativa ingênua, acreditassem que ‘ali era o céu…’”.

José F. Lopes e trechos entre aspas de Os Sertões, Euclydes da Cunha, p.35.

Março 20, 2008

“o SE no inverno e o NE no estio”

VDC, 17/03/2008

 ”o SE no inverno”

líquido, de água, chuva, frio.

“e o NE no estio”

de sol, seco, quente.

o “SE” de ser tão gente,

cabra da peste

SE de Sergipe

SE ao Sudeste

o “NE” de negro

“NE” de negócio

“NE” de Nordeste

do SE ao NE a gente segue

“em graus disparatados passando, já em outubro, dos dias com 35º à sombra para as madrugadas frias.”

José F. Lopes e trecho entre aspas de Os Sertões, Euclides da Cunha, p.38.

Março 14, 2007

Certidão de Nascimento

19 de Março de 2008. 

Aniversário de mãe.

Dia de São José. E hoje até garoou.

“Chuva fina é que molha o chão”, como o povo sabe e diz.

Ano de Ogum e Oxóssi, dois irmãos leais.

Abre-se oficialmente esta Vereda Virtual, direto de Vitória da Conquista, Bahia.

Vereda de água da chuva descendo a serra na caatinga. Nas curvas do seu caminho, sempre nascem outras veredas.

Vereda de paisagens de romances que abordam essa região-país, de onde nascem poemas de canto de página.

Também vereda de sangue, de massacres e emboscadas, a começar pelas nações indígenas. Deles, só restam alguns traços no cotidiano da gente e na memória coletiva.

Vereda de música universal sertaneja, do Café com Blues; do poeta Onildo Barbosa; de Elomar e João Omar; dos baixistas da Baixaria. Vereda de tantas escolas de música em um só lugar.

Vereda de luz, da poesia visual de Hildebrando Oliveira e Sílvio Jessé.

Vereda da política sensível e sábia dos “4 Ss” de Guilherme e das histórias/estórias de Doutor Régis Pacheco.

Vereda romântica, do revolucionário Nozinho e sua revolução cultural.

Vereda do futebol surpreendente do E.C.P.P..

E tantas veredas mais, abertas nesta flor da caatinga, singela e perfumosa, jóia encravada no coração do sertão baiano.

Agora, é andar pelos caminhos dessas terras planas-frias-quentes-altas, de céu cinza sem chuva, de relâmpago com ou sem nuvem, com ou sem trovão.

José F. Lopes